Vênus
Hino à Deusa que Afina o Mundo
Hector Othon
Há uma deusa que não fala alto,
mas sabe o nome de cada pessoa que toca.
Flui sem pressa, não para dominar,
mas para afinar o mundo com seu passo.
Não ergue muros, nem apaga vozes —
apenas convida ao encontro verdadeiro:
onde o “eu” se entrelaça ao “nós”,
sem perder o brilho do seu próprio mistério.
É a arte de ouvir antes de agir,
de transformar fogo em melodia,
de trocar a espada por um gesto
que tece pontes na alma ferida.
É a beleza que nasce do equilíbrio interior,
não como pose, mas como escolha —
quando se prefere a sutileza ao grito,
e a compreensão à simples reprova.
É a cura dos ruídos do coração:
aprender o que é teu, o que é meu,
e entre os dois, tecer um espaço
onde a justiça dança com o véu.
É a força que se faz leve,
a palavra que se faz ponte,
o caos que se entrega suave
à forma que acalma a fronte.
Porque evoluir não é vencer sozinho —
é tecer, com mãos em oração,
um mundo onde até o silêncio
se verte em luz, em verso, em canção.
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