A Deusa que Ensina com os Olhos no Horizonte
𝘼 𝘿𝙚𝙪𝙨𝙖 𝙦𝙪𝙚 𝙀𝙣𝙨𝙞𝙣𝙖 𝙘𝙤𝙢 𝙤𝙨 𝙊𝙡𝙝𝙤𝙨 𝙣𝙤 𝙃𝙤𝙧𝙞𝙯𝙤𝙣𝙩𝙚
Hector Othon
Há uma deusa que não fala em dogmas,
mas em luz que se derrama sobre o caminho.
Não traz respostas — oferece perguntas
que abrem asas no peito do peregrino.
Não fecha portas com certezas duras,
nem aprisiona o espírito em nomes.
Prefere o fogo da dúvida santa,
o espanto que faz o coração guiar.
Sua sabedoria não se acumula —
transborda como rio rumo ao mar.
Transforma o saber em inspiração
e a verdade em algo a ser vivido.
Ensina a confiar no que não se vê,
mas se sente como estrela no peito.
Não teme o vasto nem o incerto —
põe os pés na terra e os olhos no céu.
Sabe que o mundo é um livro de símbolos,
e cada passo, uma letra revelada.
Purifica o ruído da mente
com o silêncio que só o deserto dá:
nada de sobra, nada de falso —
só o essencial, em plena clareza.
Seu templo é a estrada sem fim,
seu canto, o vento que move os véus.
Seu ensino não está nos livros,
mas no modo como o coração enxerga o divino.
Evoluir não é saber mais —
é libertar-se do medo da própria visão.
É soltar o chão que aprisiona
e, com mãos livres, abraçar a missão.
É tornar-se arco que aponta alto,
enquanto a alma, em gesto de graça,
deixa que a música do invisível
guie a flecha no encanto do amor.
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